Pesquisa revela que uma grande porcentagem de pentecostais nunca falou em línguas

Pesquisa realizada em 10 países pelo Washington-based Pew Forum on Religion and Public Life revela que uma grande porcentagem de pentecostais nunca falou em línguas. Na tabela abaixo, temos o resultado da pesquisa por cada país, cuja pergunta era com qual frequência as pessoas falavam em línguas, sendo que o primeiro resultado mostra a porcentagem daqueles que falam em línguas regularmente e a última coluna apresenta a porcentagem daqueles que nunca falaram em línguas entre pentecostais e carismáticos. No Brasil, por exemplo, 50% dos pentecostais jamais falaram em línguas e entre os carismáticos a porcentagem é impressionantemente maior: 84%!

Spirit and Power: A 10-Country Survey of Pentecostals - Página 17

Esta pesquisa apenas confirma o ensino do Apóstolo Paulo de que o dom de línguas não é um dom oferecido a todos os crentes. "Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo" (1 Co 12:4). Paulo pergunta: "Falam todos em outras línguas?" (1 Co 12.30). A resposta obviamente é não, pois esta pergunta está atrelada a uma série de perguntas retóricas cuja resposta para cada uma delas é também um sonoro "não"! (1 Co 12.29-30). 

No mesmo capítulo em que Paulo ensina que nem todos falam em línguas, ele também afirma que todos da igreja de Corinto, sem exceção, foram batizados em um só Espírito no Corpo de Cristo (1 Co 12.13). Todos foram batizados com o Espírito Santo, mas nem todos falaram em línguas (1 Co 12.30). Não deveria haver divisão na igreja por causa dos dons. Ninguém deve ser desprezado por não possuir determinado dom. E ninguém deve se sentir diminuído por não falar em línguas. Pois, não importa que dom a pessoa recebeu, porque o importante é saber que o mesmo Espírito é a fonte de todos os dons. “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1 Co 12:4). “Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?” (1 Co 12:15). “Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente” (1Co 12:11).

No dia de Pentecostes, existe dois grupos de pessoas que receberam o Dom do Espírito. O primeiro grupo é composto pelos 120 discípulos que estavam orando no cenáculo, sobre eles veio o Espírito Santo que se manifestou através de 3 sinais maravilhosos que jamais foram repetidos: 1) foi ouvido um som como de um vento impetuoso, 2) foram vistas línguas como de fogo pousando sobre a cabeça de cada pessoa ali presente e, 3) todos passaram a falar em outros idiomas, ou seja, em línguas estrangeiras, tanto que, ao saírem do cenáculo, tais idiomas foram compreendidos por pessoas provenientes de distintas partes do mundo. Há ainda outro grupo de discípulos, os 3 mil, que se converteram e que também foram batizados com o Espírito, mas nada é dito sobre terem falado em línguas, ou sobre ter sido ouvido um barulho como de um vento impetuoso, ou ainda sobre terem sido vistas labaredas de fogo pousando sobre as cabeças no momento do Batismo. Mas outros sinais são mencionados como características da presença e ação do Espírito Santo, tais como perseverança na sã doutrina, comunhão em amor, singeleza de coração e evangelização. Tais sinais, sim, devem estar presentes na vida cristã cheia do Espírito (At 2.42.47).

É errado concluir que o dom de línguas seja o dom sinal do batismo com Espírito Santo baseado no Livro de Atos que é um livro histórico e não doutrinário. A experiência de um ou outro não deve ser tomada como uma norma para todos os demais.

Quando em Atos lemos que pessoas falaram em línguas no momento de seu batismo com o Espírito Santo, deve-se observar tratarem-se sempre de grupos novos que precisaram de uma manifestação desta natureza para que viessem a ser reconhecidos como cristãos pelos apóstolos e demais líderes da igreja que, naquele período, em sua totalidade, eram judeus e não possuíam ainda um conceito claro do caráter universal da Igreja. Por esta razão, foi que Felipe, o diácono, não batizou os samaritanos convertidos, mas mandou chamar os apóstolos para que eles pudessem testificar com seu próprios olhos que o Espírito do Senhor estava regenerando também os samaritanos. O mesmo se deu com Pedro na casa de Cornélio, o romano. Deus precisou ser bem incisivo para que Pedro superasse todos os seus preconceitos contra os gentios, e fosse visitar a casa de um romano como Cornélio. Lembremos também que Pedro teve que se explicar muito diante dos demais apóstolos que o inquiriram a respeito de um fato tão inusitado e contrário a lei judaica. O fato de Cornélio ter falado em línguas serviu como argumento favorável de que o Evangelho era também para os gentios!

Algo ainda a ser considerado é que cristãos valorosos, que demonstraram sinais evidentes da plenitude do Espírito Santo, jamais falaram em línguas, entre eles: Lutero, Knox, Calvino, John Wesley,  George Whitefield, Charles Haddon Spurgeon, Dwight L. Moody, John R. Rice, Jack Hyles, F.B. Meyer's, Reuben Archer Torrey, Billy Sunday e Billy Graham. Como disse Jesus: "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7.20). Pelos frutos e não pelos dons.

Bispo José Ildo Swartele de Mello


Desejando saber mais sobre o assunto, sugiro a leitura dos seguintes estudos, que podem ser encontrados nos links abaixo:

Batismo com o Espírito Santo e o dom de línguas

5 Lições sobre os dons do Espírito Santo 

Batizados com água e com fogo!




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